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Poeta - José Alberto Lopes
José Alberto Lopes
, nascido na cidade de Cubatão-SP , filho de Francisco
Lopes e Maria Nunes Lopes,
Morou em sua cidade natal até os seus 19 anos de idade
. Hoje vive em São Bernardo do Campo-SP.
Sua
infância e adolescência, em Cubatão , foi muito rica
em acontecimentos e bem observada pelo poeta (amador),e
que guardadas em seu recôndito, serve por vezes, como
fonte inspiradora para seus textos.
A rede e o amor
Ouça o mourejar das ondas,
Olha a lua ainda lá.
O mar te acorda na cheia,
Não demora clarear.
Pega o vento jangadeiro
Põe na vela, vai pra o mar,
O vento é dado por Deus,
O peixe tem que pescar.
Ficou na beira da praia,
Lá na terra uma flor,
Mariana Alves Santos,
Mariinha seu amor.
Joga a rede pescador
Não espera amanhecer,
Aproveita que tem peixe,
Amanhã pode não ter.
Pra fazer o mundo inteiro,
Sete dias Deus levou,
Cada malha da sua rede,
É o amor que ela jurou.
Pra a rede não se romper,
Puxa ela devagar,
Puxa e canta pescador,
Seu amor ta a lhe esperar.
Tanto a rede quanto o amor,
Pedem amabilidade,
A rede é feita de linha,
E o amor é de saudade.
José Alberto Lopes.
OS DIAS QUE FORAM SOMENTE DOS ÍNDIOS
(Antes da chegada da frota)
...Ouviam da terra o riso do sol,
O vento cantando entre as fendas das pedras,
A abelha zumbindo na copa da flor,
O murmúrio da fonte no oco da mata.
E viam correr pelas brenhas difíceis,
O Boitatá, Curupira, coisas do mato.
Nos rios a temível Igpuiára,
E cousas de fogo voando nos céus.
E sentiam o calor da mata fechada,
E o ar refrescante das praias abertas,
E respeitavam seus velhos e a natureza,
As mulheres,os bichos e os curumins.
E como crianças eram puros,
E tinham lá o milagre dos peixes,
Seu pão de mandioca, a oca,
E um Deus “generoso” chamado Tupã.
Eram muitos, tantos, incontáveis,
Antes da chegada daquela frota.
Viviam nus como vivem os peixes
E enfeitavam o corpo como se fossem aves.
Não guardavam, vendiam ou trocavam,
Só caçavam e pescavam o que comiam,
Eram, pois, os guardiões das florestas,
Daquele imenso Brasil encoberto.
Eram Tamoios, Tapuias e Tupis,
Guaicurus, Guajajaras, Guaranis
E outros, que foram felizes e assim viveram,
Até o aportar das naus de além-mar
Que no peito da América num éden oculto,
O desfrute incauto vieram colher.
E ainda em nome da cruz que “livra” o mundo,
Nas catequeses criaram escravos,molambos!
SBC-SP-JAL®
19/04/2007
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POESIA e POEMAS - AGOSTO/ 2007 |
Olá amigos, hoje peço
permissão para comentar sobre uma manifestação
poética que nasceu no Japão medieval e que se chama:
Haicai. Ainda pouco difundida aqui no Brasil,
embora tenha sido trazida a nossa terra já há quase
cem anos, por ocasião da chegada dos primeiros
imigrantes japoneses.
Trata-se de um poema
conciso formado por 17 sílabas poéticas (5-7-5) um
terceto, sem título, sem rimas, respeitando o
Kigô, que é a palavra que define em linhas
gerais, a estação do ano:
Primavera: flores,
alegria, renascimento...
Verão: calor, canto da
cigarra, liberdade, férias...
Outono: melancolia,
decadência, senectude...
Inverno: tranqüilidade,
reclusão, frio, morte...
Haicai é contemplar a
natureza, registrando o momento efêmero, como faz um
fotógrafo quando clica a sua máquina.
Resume uma impressão, um
drama, às vezes deliciosamente, não raro profundo,
fazendo sempre que possível, uma referência às
estações do ano, como já foi dito, seu reflexo na alma
do poeta, de forma simples e com sentido completo. No
Haicai, não se explica tudo, parte, fica para o
leitor...
Aceita-se Haicai dito,
ocidentalizada com introdução de algumas
peculiaridades, mas sem exageros.
Yosa Buson
e Matsuo Bashô que viveram há
muito tempo atrás, entre outros, são considerados
mestres do Haicai no Japão.
Vamos fazer Haicais?
Tente o seu e depois me escreva ta bom?
Aqui, alguns exemplos de Haicai.
Veja a brisa
matinal
soprando
os pêlos
(Y.Buson)
da taturana.
Na noite encurtada
demora-se
sobre o monte,
(Y.Buson)
um trapo de lua.
Da porta do templo,
vê-se o
bambual curvado
(A.
Seixas)
pela ventania.
Olhem a tapera!
que coisa
linda tomada
(J.A.Lopes)
de flores de guaco.
Dia frio de inverno,
um
portãozinho boceja
(J.A.Lopes)
ao vento da tarde.
Pelas mãos do artista
olham-se
no mesmo guache
(J.A.Lopes)
a lua e a gueixa.
Veja o vento frio
arrepiando
a pele
(J.A.Lopes)
do lago que dorme.
Olho os estilhaços
da lua
entre as folhagens
(J.A.Lopes)
e piso seus cacos.
A cigarra canta
na janela
do mosteiro,
(J.A.Lopes)
infindável mantra.
Veja a mamangava
construindo nova casa
(J.A.Lopes)
num velho mourão.
Um abraço amigo Magno.
J.A.Lopes
GALEÃO DE AREIA
Do que valem teus mastaréus e gurupés,
As velas redondas e as velas bastardas,
Se dando-se à praia, lá te fundeaste?
Do que te vale perfeita quilha
Se nunca sentiste a fúria
Ou o enlevo das marés?
Nunca bordejaste e nunca foste adriçado!
Nada sabes do amargo das tormentas,
Nem o doce de uma brisa!
Para que servem tuas amarras
Se a procela que lá se levanta
Não tocará sequer um palmo do teu velame?
Do que valem teus remos sobre o convés
Se a calmaria da areia não os importuna,
E assim agonizam ociosos e já outoniços?
Mesmo, pois, observa a viração noturna
A esquadrinhar teu casco seminu,
E um farol em idílios a te chamar...!
SBC-SP-José Alberto Lopes®
14/07/2006
Um crime Lácteo
Chegou
o leiteiro de mansinho
e lá
no três quarenta e dois,
deixou
seis leites com carinho
e o
trabalho pra depois!
Ornela
Góes já o esperava,
Cheirando a rosa e anis
pois
com um sinal avisara,
o
carancho infeliz.
Foram
quentes madrugadas,
e
enquanto um fazia pão,
o
outro à massa alheia, sovada,
gozava
com sofreguidão!
Mas
um dia, como outros tantos,
vestidos apenas de vento,
foram
flagrados, e, portanto,
morreram antes do intento.
Foram
três gritos, um trio!
junto
a três tiros fermentados,
três
corpos sobre um piso frio,
sangue e leite, misturados!
A
multidão ficou sem crer
no
dantesco quadro apresentado
e
pasmada lamentou ao ver,
tanto
leite derramado!
SBC-SP-José Alberto Lopes ®
24/04/2006
FELIPE, Capítulo XIX
Eu vi o menino Felipe
De mãos no bolso e sem bagagem,
Voltava da Europa distante,
Após um ano de viagem.
Julgou-se já em sua casa
Quando aportou o Oriana.
De mãos no bolso e sem bagagem,
Regressa à terra da banana.
“Cubatão de eras históricas,
Que teve até Porto Geral,
Só às terças, quintas e sábados,
Corre um trem nesse ramal?”
Era sexta, não havia trem!
Era folga do maquinista,
E ele então pisou cada dormente
Como se uma escada infinita!
Beirou os valos bem verdinhos
Todos de musgos recamados.
Com o seu chapéu de aba larga
Que o vento ousou sem dar recados!
A serra mostrava-se inteira,
O vento varrera a cerração.
O olaria é meio caminho,
Lá da Europa à Cubatão!
E segue o menino Felipe
Entre o verdor daquela mata,
Que tinha garças e socós
E até um cão vira-lata.
Segue mais, mais e muito mais,
Um estirão a mais, e a ponte!
Negra como a noite já tingia,
A tênue linha do horizonte.
Do outro lado, a sua casa,
No meio das tangerineiras,
Era um chalé cor-de-rosa
Tomado por mil trepadeiras.
Ajuntando as folhas caídas,
No quintal estava a sua madre.
Já com mais brancos nos cabelos,
Do que os cirros daquela tarde.
_ A benção, mamãe, disse ele,
Com seu jeito todo gaio.
_ Então é você, seu mestre?
A benção, respondeu-lhe de soslaio!
SBC-SP-José Alberto Lopes®
01/05/2007
Esta é a minha homenagem ao nosso poeta
maior, Afonso Schmidt pelo seu 117º aniversário de
nascimento
Que ocorre em 29 de junho. (Baseado em
texto publicado no Portal de Cubatão)
Soneto da escuridão
Farol da costeira que longe brilha
Plantado na pedra daquela ilha.
Do navegante à noite é o seu guia,
É o anjo dos pélagos, seu vigia!
Daqui se vê a luz forte e tronante
Olho noturno de olhar palpitante,
Como flertando as estrelas assim,
Que rolam nas vagas desde os confins.
Luz da costeira que vara a neblina,
Cega os meus olhos , a minha retina,
Para que eu não veja a luz do adeus
Nos olhos tão claros dessa menina,
Que rasga o meu peito feito rapina,
Dê-me o invisível brumoso dos breus!
SBC-SP.José Alberto Lopes®
03/01/2003
Maria-Traquitana
Caldeira inda fria
não move ninguém,
foguista na boca
alimenta-a bem.
Faz muita fumaça
Muito nhenhenhém
co'a pressão lá em cima
andar lhe convém!
Agora desliza
igual a ninguém,
lá vai a Maria
puxando esse trem.
A fumaça é u'arco
que eclipsa o céu,
alguém na janela
perdeu seu chapéu!
Barriga vazia
não move ninguém,
foguista com fome
papando vai bem.
Na curva apita
prevendo a chegada
a uma estação,
"que longa parada"
O vapor está frouxo?
será lenha molhada?
será falta de água?
ou caldeira furada?
Mas segue Maria
em meio à fumaça
fazendo barulho,
fazendo chalaça.
Vai besta na serra
bufando e uivando,
lá vai a madame
nos trilhos dançando.
Levando dois carros
de gente apinhados,
vão feio e bonito
de medo abraçados!
Tem água fresquinha
pra o emocional,
pra quem desce a serra
rumo ao litoral.
Se o cabo arrebenta
nem vale a oração,
o vale é profundo
mas finda no chão!
Era assim que se vencia a velha serra
do mar, num sistema chamado de:
Sistema Funicular Ferroviário,
empregado pela E.F.S.J. até meados de 1970.
Sistema por cabos de aço de ações
externas, auxiliado por Locobreques que
eram as locomotivas a vapor!
[Maria-fumaça] Viagens, fiz muitas por ali.
SBC-SP-José Alberto Lopes®
28/05/2006
Mangues vermelhos
Voltou
o Guará-vermelho
Deu na
Net e nos jornais,
É sinal
que volta a vida,
Nas
orlas dos manguezais.
Partiram há muito tempo
Como um
adeus pra nunca mais,
Deixando tristes os mangues
Agonizantes, em ais.
Eu
também parti menino
Com
idéia de voltar,
Vivo
bem nas serranias
Mas o
vale é o meu lugar.
“Não
permita Deus que eu morra
Sem que
eu volte para lá”
Pra ver
meus rios e lagoas,
E as
brenhas que ainda há.
E dos
amigos de infância,
Encontrar algum, quiçá,
E ver
os mangues vermelhos,
Salpicados de guarás!
SBC-SP
JAL®
17/04/2007
Nota: este poema, além de evocar saudades, vem também
homenagear o Guará-Vermelho que retorna aos manguezais
da região, assim como os abnegados que lutaram e
continuam lutando pela preservação do meio ambiente em
qualquer parte deste planeta.
O Martim-pescador
Tié-fogo voou
Coleirinha cantou
Sabiá respondeu
Veio o Fogo-apagou.
O Martim se enganou
Entre as ramas olhou
Parecia uma luz
O olho do caçador.
Tié-fogo voou
A Jandaia avisou
Jaçanã estremeceu
Quando o tiro ecoou.
E a mata ficou
Mergulhada na flor
Da fumaça expandida
E o cheiro de dor.
Viuvinha chorou
Sabiá perguntou:
"Onde foi que caiu
O Martim-pescador “?
SBC-SP. 05/10/2005
Autor - José Alberto Lopes®
Parapente
Vejo a tênue curva no
horizonte,
Estou num turbilhão
ascendente.
Meu corpo é pluma, é
gaivota,
Metade humana e parapente!
O vento encrespa os meus
cabelos,
Agora já não sou mais
gente.
Eu estou por fios
dependurado,
Sou ave seda, sou
parapente!
O sol se pondo vem me
sorrir
Um lusco-fusco ainda
ardente,
Que somente aos pássaros
é dado,
E a quem tem olhos de
parapente!
Já não sonho mais, agora
eu vivo
A real liberdade das
correntes,
Já sou de um bando como
as gaivotas,
Somos um bando de
parapentes!
SBC-SP-José Alberto Lopes®
12/01/2007
Cordel
para Vicente de Carvalho
Advogado
e Político
Magistrado e Jornalista
Nasceu em terras praianas
Aqui em solo Paulista
Onde o mar é testemunho
De tal poeta santista.
Nos idos mil 866
Em abril do quinto dia
Filho do Major Higino
O então poeta nascia
Filho também de Augusta
A mãe que ao mundo o traria.
Veio depois do primário
Estudar na capital
Lá no colégio Mamede
” Seminário episcopal “
O menino já poeta
Mostrava-se genial.
Faculdade de Direito
Já com vinte, bacharel,
Republicano ferrenho
Desempenhava seu papel,
Sem perder a suavidade
De poeta e Menestrel.
A poesia florescia,
Com tendências Parnasianas,
Grande artífice dos versos
Lá pelas orlas praianas,
Versos leves, sobre espumas,
Fundos versos, Marianas.
Ante ao golpe de Deodoro,
Foi lá pra Franca morar,
”Profundo golpe em seu peito“
Como profundo é o mar,
Que lhe era como um ópio,
Versos, sangue elementar.
Nas ardentias das tardes
Seu coração marulhava,
E na alvura de uma brisa,
O poeta já alinhavava
Mais um verso, uma prosa,
Enquanto o sol descambava.
"Deixa-me, deixa-me fonte
dizia a flor a chorar "
E "Fugindo ao cativeiro"
Vejo "Palavras ao mar"
"Relicário, Voz dos sinos"
És o poeta do mar!
Hoje há uma estátua erguida
Relevando o bem-feitor!
Na política e na cultura
Chama ardente, sim senhor!
Foi Vicente de Carvalho
Grande poeta e Doutor.
Vicente Augusto de Carvalho foi poeta,
contista...Político.
Cadeira nº 29 da ABL. Santos: 05/04/1866 - 22/04/1924
SBC-SP.José Alberto Lopes®
17/03/2005
Canção do salineiro
A vida já é bem salgada ,
que dirá a do salineiro
que trabalha de sal a sal
ao sol do ano inteiro .
Impávido é o salineiro ,
em meio à brancura e ao relento .
retira do mar o sal ,
seu salário seu sustento !
Mágico é o salineiro ,
no palco branco e isolado ..
Extrai do mar tanto sal
e o mar continua salgado !
SBC-SP.José Alberto Lopes®
13/05/2003
Na
Paulista
Eu
a vi inerte na vitrine,
Um
gesso formatado em mulher,
Numa tarde quente na Paulista
Na
esteta moldura da valiser!
Trazia os seios envernizados
Pela luz do sol que declinava,
Como que pra vê-la como eu,
Já
nos últimos raios suspirava.
Rosto afilado, cintura curva,
Parecia-me olhar de soslaio
Com um brilho nos olhos, tão vivaz,
E
nos cabelos, flores-de-maio!
SBC-SP.-24/09/2005
[José Alberto Lopes®]
Caçadores de orquestra
A
chuva cessa
Ardente é o brejo,
Sinfonia coaxante,
Caçadores sem pejo.
Capotes, homens,
Na
noite, Netunos.
Luzes, tridentes,
Anuros soturnos!
Silencia o brejo,
Num segundo se atesta,
Não há mais sinfonia,
Caçaram a orquestra!
SBC-SP.30/10/2005
Autor - José Alberto Lopes®
SAIBA COMO FAZER PARTE DESDE ESPAÇO E MOSTRAR SEU
TRABALHO?
Página
atualizada em Maio/07
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