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Abuso sexual: prevenção através dos serviços de saúde é tema da
Accec
Palestra ocorre no anfiteatro da Câmara, às 9 horas desta
segunda-feira (17/12)
Objetivando aprofundar
a rede de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de abuso
sexual, a Associação Cubatense de Capacitação para o Exercício da
Cidadania (ACCEC) promove na próxima segunda-feira (17/12), a
partir das 9h00, no anfiteatro da Câmara Municipal, uma palestra
de sensibilização com o tema "Os serviços de Saúde como porta de
entrada, apoio e prevenção". A promoção tem também o apoio da
Prefeitura Municipal e é aberta ao público interessado, integrando
o projeto Voz do Silêncio.
Esse projeto é
executado pela ACCEC desde março de 2004 e tem, entre suas
principais finalidades, oferecer atendimento psicológico, social e
jurídico para as vítimas de abuso sexual e suas famílias,
contribuindo para a erradicação do abuso e da exploração sexual de
crianças e adolescentes em Cubatão.
Desde a criação do
projeto, já foram atendidas 171 crianças e adolescentes vítimas de
abuso sexual, de ambos os sexos, até os 18 anos de idade. Desse
total, 10 meninos e 20 meninas tinham até 6 anos de idade, 29
crianças do sexo masculino e 75 do sexo feminino foram vitimadas,
na faixa dos 7 aos 14 anos, registrando-se ainda 8 rapazes e 29
moças vitimados, na faixa dos 14 aos 18 anos.
Com base nesses dados,
observa a ACCEC que as meninas - principalmente na idade de 7 a 14
anos - continuam liderando todas as estatísticas desde os
primeiros casos, o que confirma a teoria da relação de poder
estabelecida na questão de gênero (masculino x feminino) e na
hierarquia baseada em diferenças de idade e na relação familiar.
Mas a ONG também observa que a maior incidência de casos
registrados na faixa dos 7 aos 14 anos pode ser devido ao
encaminhamento da criança para a rede escolar e a possibilidade
que esta passa a ter de encontrar agentes sociais de confiança
para revelar os abusos de que é vítima.
Nos relatórios da
ACCEC, são apontados como principais agressores: padrasto, 36
casos; pai, 33; mãe/madrasta, 3; tios, 15; avô, 10; outros
familiares, 16. Não pertencentes ao núcleo familiar, foram
registrados 58 agressores: 27 vizinhos, 3 colegas, 6
desconhecidos, 9 amigos de família, 5 adolescentes, 5 não
identificados. Em três casos, o agressor era o namorado da mãe.
"Os casos de abuso
sexual intra-familiar e extra-familiar continuam reproduzindo o
que nos apontam os estudos a este respeito, ou seja, a maioria
acontece com pessoas conhecidas da família e de confiança das
crianças e adolescentes – aponta o relatório da ACCEC -. São
pessoas que se aproveitam do vínculo afetivo e de confiança para,
através de sedução ou ameaça, abusarem da criança ou do
adolescente".
Tais casos não são
fáceis de constatar, em razão de ser comum existir "uma espécie de
pacto de silêncio, pois as vítimas, na maioria das vezes, ou por
sedução ou por serem ameaçadas na denunciam os agressores", cita
ainda a entidade, que completa os dados estatísticos: 84 desses
casos lhe foram encaminhados pelo Conselho Tutelar; 23 pelos
serviços da Secretaria da Saúde, 18 pelos serviços da Secretaria
de Ação Social, 18 também pela Delegacia de Defesa da Mulher, 9
por outras instituições cubatenses, 8 pela Secretaria da Educação,
e ainda três por outros serviços atuantes na Baixada Santista,
três pelo Poder Judiciário, e apenas cinco por demanda
espontânea..
Esses números
"demonstram a sensibilização da rede de atendimento para a
necessidade de encaminhamento para o serviço específico", sendo
todos os casos notificados ao Conselho Tutelar de Cubatão, como
prevê o artigo 245º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA),
para o estabelecimento das medidas de proteção elencadas no artigo
101 desse estatuto.
Além da parceria com a
Prefeitura, o projeto Voz do Silêncio vem sendo neste ano
financiado pela Petrobrás e pelo Fundo Municipal da Criança e do
Adolescente. A equipe conta com assistentes sociais, psicólogos,
advogada e educadores, que fazem os atendimentos e realizam as
oficinas de sensibilização nas comunidades e escolas.
Lembra a ACCEC que as
denúncias anônimas podem ser feitas pelos telefones do Conselho
Tutelar (3361-1770); da Delegacia de Defesa da Mulher de Cubatão
(3363-2141), do Disque-Denúncia Anônimo ( 0800.720020) e do Voz do
Silêncio (3361-3222).
Departamento de Imprensa -
12/12/2007
20071213-ACCEC-palestrasSaude-CPM.doc – Zanza 2
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