Voz do Silêncio já recebeu 171 denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes

        

Em cerca de quatro anos de existência, o programa Voz do Silêncio, da Associação Cubatense de Capacitação para o Exercício da Cidadania (Accec) recebeu 171 denúncias de abuso sexual. Desse total, apenas dois casos foram de estupro, e a maioria dos crimes foram praticados contra meninas de 7 a 14 anos de idade. Os abusadores foram, em grande parte dos casos, familiares das vítimas: padrastos – 36; pais – 33; vizinhos 27, seguidos de pessoas com outros tipos de parentesco. Os vizinhos em núcleos mais carentes, e muitas vezes compostos de pessoas oriundas de outros estados, têm proximidade característica da que ocorre entre consangüíneos.

Esses dados foram fornecidos durante evento ocorrido na manhã desta segunda-feira (17/12), no mini-auditório da Prefeitura (para onde foi transferido por falta de eletricidade no auditório da Câmara, onde estava previsto acontecer). Compuseram a mesa na solenidade: o secretário de Saúde, Eduardo Paiva Magalhães; o presidente da Accec, Antonio de Pádua Azevedo; a coordenadora do Voz do Silêncio, Ivanir Cocchi, que se encarregou da exposição sobre a atividade do programa e sobre aspectos psicológicos gerais que costumam envolver famílias cujos membros estejam ligados a situações de   abuso sexual. A advogada Cláudia Mara Valêncio discorreu sobre o aspecto jurídico da questão. O projeto Voz do Silêncio tem o patrocínio do Conselho Municipal da Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Para a platéia, composta em grande parte por profissionais ligados à área da Saúde e estudantes de Enfermagem, Eduardo Paiva Magalhães aproveitou para reforçar a orientação de que, em todos os casos, a vítima deve procurar a unidade de Saúde, responsável pelo atendimento de emergência. Desse modo, passará por consulta médica e receberá   medicação para evitar  possível infecção por Doença Sexualmente Transmissível (DST), Aids, hepatites e/ou   gravidez. A indicação é que se procure o atendimento quanto antes, se possível 72 horas após o contato sexual, para receber os retrovirais. Se não, a vítima deverá ser acompanhada por infectologista, por cerca de seis meses.

Conforme ressaltou Ivanir Cocchi, a escola é um espaço fundamental para se trabalhar a prevenção contra toda forma de violência e também para detectá-la por meio do comportamento infantil, caso esteja ocorrendo. Disse que normalmente a criança vítima de abuso apresenta sexualidade exacerbada, ansiedade, dificuldade de relacionamento, por excesso de retração ou de agressividade. "Essa atenção é fundamental, pois aproximadamente 60% dos casos de abuso sexual não deixam vestígios físicos. Para levantar suspeitas, é necessário prestar atenção à manifestação de um conjunto de sinais, que são comunicados pela criança ou pelo adolescente, mesmo que ele não perceba: podemos considerá-los como um pedido de ajuda a algum adulto que possa socorrê-lo", disse.

Contatos - Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone 0800.7720020. A Accec funciona na Rua Bahia, 67. Outros telefones, por meio dos quais se pode obter informações em Cubatão (DDD 13), são: Delegacia da Mulher de Cubatão, 3363-2141; Conselho Tutelar, 3361-1770; programa Voz do Silêncio, 3361-3222; Rede Especializada de Atenção às Vítimas de Violência Sexual (Reavis), 3361-6414. Outras localidades, pode-se ligar 100.

 

Departamento de Imprensa  - 17 /12 /2007
2007-12.17- SMS, Accec, Voz do Silêncio - CR  – Zanza 6

Fotos: Aderbau Gama/Depto. de Imprensa/PMC >FOTO 1<  >FOTO 2
 

 

 

 

 

 

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