|

APRESENTAÇÃO
A
Sociedade Amigos da Biblioteca e Arquivo Histórico
- SAB - possui a proposta de divulgação e
valorização de nossa história local. Eis porque apresentamos, ao
público em geral, a revista Avenida de Todos Nós.
A publicação contém o histórico e imagens da principal via
urbana de nossa cidade.
A frase “Cubatão era um ponto de
passagem” está registrada em livros, teses e artigos que tratam
da história cubatense para explicar o moroso desenvolvimento do
povoado. O próprio Afonso Schmidt cita, na poesia Cubatão,
que minha terra não passa de uma estrada.
Indubitavelmente, a nossa trajetória possui essa marca. E,
devido a isso, em seus vários momentos houve pessoas, entidades,
indústrias que não se estabeleceram efetivamente. A ligação com
a cidade era momentânea, efêmera, sem raízes. Afinal, o povoado
não passava de uma mera estrada.
Entretanto, houve pessoas outras,
entidades outras e empresas outras que se fixaram às margens do
caudaloso rio que se chama Avenida 9 de Abril. Nessa
publicação contamos um pouco do surgimento, das pessoas que
moraram, dos comércios que se instalaram, ou seja, pinçamos
fragmentos das várias transformações pelas quais passou a
querida Avenida de Todos Nós”.
AVENIDA NOVE DE ABRIL
A partir da metade do século
XVIII, a Capitania de São Paulo estava saindo de uma profunda
crise econômica. A recuperação se daria progressivamente nas
décadas subseqüentes através dos produtos agrícolas,
principalmente o açúcar. Justamente por esse motivo, os antigos
caminhos na Serra se tornaram insuficientes para o devido fluxo
das tropas de animais carregadas das preciosas mercadorias.
O governador da Capitania,
Bernardo José Maria de Lorena, de 1788 a 1798, reverteria essa
dificuldade ao construir a estrada denominada Calçada do Lorena,
em 1790. A situação se desenhava dessa forma: havia fluidez de
animais e pessoas no perímetro da Serra, porém o mesmo não
ocorria quando chegavam ao povoado de Cubatão que, à época, não
possuía ligação por terra até Santos. Os rios eram utilizados
como estradas o que, sem dúvida, repercutia rio encarecimento
dos produtos devido ao transporte e estocagem. As reivindicações
para que se construísse um caminho entre Cubatão e Santos surgem
no início do século XIX. Apesar das dificuldades crescentes, tal
propósito tomará forma quando da posse do Presidente da
Província de São Paulo, Lucas Monteiro de Barros. Ocorre que não
foram poucas as dificuldades enfrentadas para a execução do
empreendimento. Além do calor excessivo, próprio do clima
tropical úmido, a enorme quantidade de mosquitos infligia
sofrimento e doenças. Diante dessas circunstâncias, eram poucos
os trabalhadores assalariados que se adaptavam às dificuldades
impostas pelo meio ambiente. Na verdade, a obra se concretizava
devido a utilização do trabalho escravo. Domar o mangue não era
tarefa fácil. A obra extenuava em todos os sentidos.
Fisicamente: por ser todo aterro transportado em cestos.
Financeiramente:
pois, até o final de 1826, foram
gastos 47.465$802 (ou seja, quarenta e sete contos, quatrocentos
e sessenta e cinco mil, oitocentos e dois réis). A esperada
inauguração ocorreu a 7 de fevereiro de 1827 e o empreendimento
ficou conhecido como o Aterrado de Cubatão ou Entulhado. O ano
de 1835 registra o surgimento da Barreira do Cubatão que, em
outros termos, era o pedágio cobrado sobre pessoas, animais e
mercadorias que passavam pelo Aterrado. A Barreira do Cubatão
esteve em franca e rentável atividade até 1877.
A “Avenida de Todos Nós” está
inserida nesse contexto histórico do desenvolvimento da economia
paulista. Interessante observar, também, as várias denominações
pelas quais passou. Quando Cubatão ainda era um bairro de
Santos, o traçado era conhecido como Via Bandeirantes, com
início nas imediações da Alemoa e término no Pontilhão da
Estrada Velha, bem próximo à antiga Capela de São Lázaro. Após a
emancipação político-administrativa, a Lei Municipal n ~ 36/50
designava o trecho entre a estação ferroviária e a raiz da Serra
como Avenida 9 de abril. A partir da referida estação até a
ponte sobre o Rio Casqueiro permanecia como Avenida dos
Bandeirantes. Posteriormente, através da Lei nr. 848/70,
os citados trechos foram reconhecidos na denominação unificada
de Avenida Nove de abril.
No tocante às
transformações urbanísticas, devido à instalação do pólo
industrial e o rápido crescimento demográfico, a Avenida sofrerá
transformações profundas. A partir da década de 1960, as
administrações municipais se empenharam em sua duplicação. Porém
esse episódio dá início ao que podemos chamar de êxodo de
raízes, pois várias famílias tradicionais, e residentes na
Avenida, tiveram seus imóveis envolvidos na sôfrega especulação
imobiliária. Podemos destacar, entre outras, as famílias Couto,
Ruivo, Jorge, Stievani, da Guarda, Cunha, Saragoça, Domingues,
Oliveira, Giordani, Duarte, Fernandes, Rodrigues que marcaram a
história de nossa Avenida com seus comércios, serviços e
exemplos de vida.

|